quarta-feira, 23 de março de 2011

GUERRAS ULTRAMARINAS - 50 ANOS


Guerras Ultramarinas - 50 anos

MEMÓRIAS DA GUERRA ULTRAMARINA – 50 ANOS
A tragédia que anunciou o fim do Império ultramarino chegou em 4 de Fevereiro de 1961 a Luanda. A Casa de Reclusão Militar, a Cadeia de São Paulo e a 4ª Esquadra da PSP, foram atacadas por grupos de insurrectos que as assaltaram. A refrega sangrenta deu sete polícias e algumas dezenas de bandoleiros mortos. Foi uma madrugada de raiva que se anunciava por causa dos conflitos laborais com os trabalhadores
produtores de algodão na Baixa do Cassange. A agitação na cidade de Luanda era perceptível desde que as autoridades portuguesas começaram a prender os cabecilhas da revolta contra a empresa Cotonang, que quis obrigar os agricultores a cultivar o algodão a preços mais reduzidos. O sossego em Luanda terminou abruptamente. No dia do funeral dos polícias, e nos dias que se seguiram, a população branca avançou contra as populações dos muceques e abateu centenas de negros. Foi o atiçar do ódio que se veio a espalhar pelas terras do norte de Angola, a partir do dia 15 de Março de 1961. Este dia ficará na memória de muitas famílias de colonos como o mais trágico acontecimento no norte de Angola. As atrocidades foram tão violentas e dramáticas que ninguém podia ficar indiferente à quantidade de vítimas, entre as quais, muitas mulheres e crianças esventradas.  
Os primeiros militares intervenientes, que resistiram ao tempo, têm gravado na memória os dramáticos acontecimentos ocorridos durante as missões que os levaram até aos confins daquele vasto território. As picadas cortadas com abatises ou valas profundas demoravam muitos dias a percorrer; o inimigo astuto, escondido entre o capim, aproveitava para atacar nos locais mais complicados para a defesa; as chuvas provocavam lamaçais de difícil progressão; o apoio aéreo, muito escasso, era um factor de preocupação permanente no socorro e evacuação aos feridos. Estes eram os principais obstáculos que os bravos soldados portugueses tiveram de enfrentar, até se conseguir estabilizar a ocupação das localidades vandalizadas, o que demorou cerca de cinco meses.
Nos primeiros tempos da guerra, os combatentes dos reduzidos efectivos militares tiveram que se esforçar até aos limites das suas capacidades humanas para socorrer as populações isoladas nos locais mais desprotegidos das povoações da região afectada pelos bandoleiros. Depois das atrocidades dos primeiros dias, os que escaparam, fugiram para outros locais na busca de protecção; muitas das vezes, acabaram por cair nas mãos dos sanguinários da UPA (União das Populações de Angola), que os mutilaram, deceparam e mataram.
As tropas mais activas e bem preparadas estavam a braços na contenção da revolta dos camponeses do Cassange e nas buscas aos muceques de Luanda. As companhias de Caçadores Especiais avançaram na reconquista das picadas e povoações dos Dembos, tendo sido a 6ª companhia que mais se notabilizou a dizimar tudo que era preto, com o Alferes Fernando Robles a destacar-se na guerra do “olho por olho, dente por dente”; a sua acção na reconquista do terreno da UPA ficou marcada por numerosas baixas entre mortos e feridos. A 5ª companhia andou a bater a zona do Caxito e Úcua, com recurso ao sistema da psico-social para acolhimento das populações, mas bastante repressivo para com os negros acusados de serem infiltrados da UPA.
Para socorrer os colonos e populações atacadas pelos bandoleiros, destacaram-se os grupos de Pára-quedistas organizados em secções, com especial relevo para a defesa das povoações de 31 de Janeiro, Damba, Maquela do Zombo, Sacandica, Quibocolo, Bungo, Songo, Mucaba, Lucunga e outras onde foram necessárias acções rápidas e eficazes. Destacaram-se alguns elementos mais ousados, entre eles, o Alferes Mota da Costa, os Tenentes Veríssimo e Mansilha, o sargento Santiago, os soldados Eugénio Dias e Pimentel. No decorrer das primeiras missões, morreram em combate o Alferes Mota da Costa, o soldado Domingos e o cabo Almeida Cunha (este por não se ter aberto o pára-quedas ao saltar sobre a serra da Canda).
Para avançar com mais força para a reconquista das terras tomadas pela UPA, foram mobilizados os Batalhões de Caçadores 96 e 114 e o Esquadrão de Cavalaria 149, para a reconquista de Nambuangongo (santuário das forças da UPA), com o custo de várias dezenas de mortos e centenas de feridos. A Força Aérea foi conquistando os céus do norte de Angola à medida que foram sendo activadas pistas nas povoações; as condições logísticas e materiais permitiram apoiar os Pára-quedistas nas grandes operações de reconquista de Quipedro, Serra da Canda, Sacandica e Inga, locais de difícil acesso por terra.


Ainda no tempo da reconquista e ocupação de posições no terreno, o Manuel Joaquim da Rocha Bastos, pertencente à Companhia de Caçadores 168 do BCaç159, relatou duas situações bem complicadas no “baptismo de guerra”:
- “Quando a companhia seguia de Catete para a fazenda Maria Teresa, sofremos uma forte emboscada, com tiros vindos do meio do capim; o combate foi prolongado e a reacção obrigou à retirada do inimigo, mas atingiu um companheiro que não resistiu e morreu. O comandante da força entendeu que os bandoleiros não deviam ficar sem resposta adequada e pediu reforços ao Batalhão; com mais um pelotão, desencadeou uma batida por toda a zona e durante dois dias limpámos tudo que nos parecesse bandido. Mais tarde, instalados em Quipedro, não nos deram sossego durante quatro meses, havia semanas em que os ataques eram diários, o que nem permitia a aproximação e aterragem das avionetas para reabastecer ou levar o correio. Tivemos alguns confrontos directos com os bandoleiros, pois chegaram ao ponto de nos desafiar para fora do arame farpado e na zona onde aterravam os aviões.”

A guerra durou treze longos e dolorosos anos, por ela passaram mais de um milhão de combatentes, que deram o seu melhor ao serviço duma causa que pouco lhes dizia. Serviram a Pátria que juraram defender, independentemente de ideologias ou de sofismas. Dos cerca de 10.000 mortos, mais de 1.700 ficaram lá abandonados em cemitérios espalhados pelos mais distantes locais. A guerra deixou mais de 30.000 deficientes; muitos outros regressaram com graves sequelas no corpo e na alma, com as quais vivem os dramas dos traumas e das doenças que lhes tolhem a vida. Mas a grande maioria desses homens souberam manter intacta a dignidade dos bons portugueses, mesmo quando os governantes os desprezam e ostracizam. Foram estes oitocentos mil que, sem qualquer apoio ou reconhecimento pelo serviço prestado à Pátria, se instalaram nas mais diversas actividades produtivas, investindo os seus conhecimentos e dinheiros ao serviço de Portugal. Foi tal o desprezo e a humilhação manifestada pelos poderes públicos que alguns milhares acabaram por seguir o rumo da emigração. A persistência das Associações de Combatentes permitiu que o Estado começasse a prestar alguma ajuda aos antigos combatentes mais necessitados; especialmente a Associação Portuguesa dos Veteranos de Guerra tem prestado valioso apoio médico e logístico, além dos projectos que estão em curso para construção de estruturas capazes de alojar os que vivem mais isolados e carenciados; é um trabalho meritório que devemos apoiar com brio e convicção, mas estaremos atentos aos protagonistas indesejáveis.

Como disse há algum tempo, num debate público sobre a aferição dos valores que equilibram uma sociedade racional, mantenho a opinião de que a questão dos heróis sempre incomodou os cobardes e os acomodados. Seja no combate para defesa da Pátria, seja no combate aos fogos ou nas missões de salvamento das populações atingidas por flagelos e tempestades. A questão é mais pertinente quando ouvimos dizer e lemos comentários a tentar distorcer esses valores, referindo que os que desertaram foram mais corajosos do que os que foram para a guerra; que os cobardes são aqueles que aceitaram ir combater nas terras ultramarinas. Os valores da solidariedade, da colaboração, da defesa dos princípios democráticos e da paz não dependem de ideologias ou de regimes políticos; aceitam-se, defendem-se e praticam-se. Não há meias tintas; ou se é bom cidadão ou não. Os marginais, os parasitas, os cobardes e os traidores são nocivos à sociedade; uns porque são criminosos, outros são acomodados; é preciso reagir, ser solidário e produtivo. São esses arautos do laxismo e do facilitismo que degradam os valores que devem balizar a aquisição dos conhecimentos necessários ao desempenho com competência, saber e respeito. 
Sabemos que já lá vão 50 anos e o assunto das guerras ultramarinas não é tema recorrente nas escolas; o que é vergonhoso para a história de um país que deixou centenas de pessoas desenraizadas ou traumatizadas para o resto das suas vidas. Todos devem merecer respeito pelos anos passados em situações de perigo, sofrimento e privações de toda a ordem; uns aguentaram e foram valentes, outros fraquejaram e continuam a sofrer. Ainda somos muitos com direito de voto democrático, saberemos usá-lo com sentido do dever cumprido.
Joaquim Coelho - combatentes em Angola, por convicção; em Moçambique,
por imposição. 
(Publicado na revista "O Veterano de Guerra" da APVG)


Editada também para  "A GUERRA NÃO ACABA PARA QUEM SE BATEU EM  COMBATE"

por Joaquim Coelho - combatentes em Angola, por convicção; em Moçambique,
por imposição. 

GUERRAS ULTRAMARINAS - OPINIÕES


Guerras Ultramarinas - Opiniões

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GUERRAS ULTRAMARINAS - OPINIÕES

A questão das guerras ultramarinas tem merecido uma avalanche de opiniões e comentários cujos autores mais parecem mixordeiros a atirar lama para cima das muitas centenas de milhares de combatentes que cumpriram, o melhor que puderam e souberam, os seus deveres patrióticos. Alguns dos comentadores e contadores  de estórias chegam a resvalar para o ridículo das narrativas abstractas conjecturando cenários jamais imaginados. O que lemos e ouvimos são incongruências desfasadas da realidade que muitos viveram naquele tempo. Custa-me acreditar que os homens, com graves responsabilidades nas acções brutais de repressão e chacina aquando dos acontecimentos da revolta na Baixa do Cassange, tenham a veleidade de vir para a praça pública tentar justificar os excessos cometidos pelos seus comandados. Seria mais razoável que essa gente se recolhesse no silêncio, resguardando no esquecimento os seus actos selvagens. 




Ao longo dos tempos, muitos dos intervenientes nas primeiras operações de guerra (caçadores especiais, polícias, pára-quedistas, especialistas da Força Aérea) que comigo conviveram ou convivem, manifestam cautela e incomodam-se quando vem à tona alguma referência a esse período negro do tempo das operações militares em Angola.
Os crimes cometidos contra as populações trabalhadoras, que as autoridades desprezaram em favor dos exploradores da Cotonang (empresa de capitais maioritariamente belgas), são monstruosos e irreparáveis. A administração portuguesa determinou o aniquilamento de muitos milhares de agricultores que a Cotonang escravizava. Para isso, usou as armas da polícia e dos militares mal preparados para acções de policiamento, enquanto a Força Aérea bombardeou e arrasou aldeias inteiras. Os mais conscientes tentaram conter a brutalidade das acções repressivas, mas cedo perceberam a sua incapacidade para suster a máquina destrutiva.
Na tentativa de silenciar aqueles que pudessem testemunhar para o mundo tamanha chacina, as autoridades nomearam “grupos especiais” para fazer buscas de casa em casa e “caçar” os presumíveis “cabecilhas” dos revoltosos. Numa dessas vergonhosas missões de “assassinatos” selectivos, o próprio comandante do grupo recusou estar presente no acto de fuzilamento sumário. Ainda hoje, alguns dos intervenientes numa acção de fuzilamento, levada a cabo na Gabela, não entendem como foi possível a tropa portuguesa, que se presume civilizada, chegar ao ponto de praticar actos de tamanha crueldade.




Depois, veja-se o que fizeram as autoridades policiais e militares, bem como os colonos brancos nos muceques de Luanda, a partir do dia dos funerais dos sete polícias vítimas dos assaltos na noite de 4 de Fevereiro de 1961 – foi uma autêntica caça ao “bandido” com muitos milhares de sevícias e assassinatos. Os ódios foram atiçados e a resposta selvagem não tardou. Dizer que o Salazar estava avisado da preparação das atrocidades contra os brancos e negros bailundos era pura fantasia. O que se passou teve tamanha dimensão e foi tão macabro que ninguém imaginou tal hecatombe. Não venham, agora, os adivinhas do costume tentar justificar o que quer que seja. Meus caros, não há desculpas para tanta crueldade e chacinas a sangue frio, como aconteceu na Baixa do Cassange, nos últimos meses de 1960, nos muceques de Luanda, em Fevereiro e no norte de Angola, a partir da noite de 15 de Março de 1961.


Dos exemplos de incongruências, temos os actos de “bravura” do alferes Fernando Robles, da 6ª companhia de Caçadores Especiais, que não são mais do que desmandos por lhe ter sido dada liberdade para matar indiscriminadamente as populações indígenas. A loucura foi tal que o levou a descorar as regras elementares de precaução e deixou que o inimigo causasse dezenas de baixas entre os seus homens, quando progredia em zona infestada de bakongos instrumentalizados para estripar e esquartejar seres humanos. Provavelmente, a sua experiência na Baixa do Cassange, contra populações desarmadas, o tenha deslumbrado ao ponto de tamanha leviandade. A crueldade não justificou as chacinas nem os ódios que se tornaram intoleráveis. As consequências foram dramáticas, mas ninguém poderia saber o que esperava as populações das roças do café e das povoações das terras do norte de Angola. A ideia de que Salazar poderia saber dos planos para o massacre de 15 de Março de 1961 só pode ser falaciosa e mostra quanto de ignorância anda na cabeça de muitos escribas que pretendem deformar a história. 
Tenhamos respeito pelos mortos e estropiados, bem como pelos desenraizados que o ambiente de guerra mutilou no corpo e na alma. O sofrimento e as angústias dos soldados e dos familiares deve merecer a mais alta estima da nação. Deixemos que a história faça o seu percurso serenamente e acreditemos que ainda há escribas honestos e livres para fazer o seu trabalho com competência.

Joaquim Coelho – combatente, em Angola por convicção, e em Moçambique, por imposição.


Capitão Mendonça da 6ª CCaçEspeciais
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

GUINÉ - OPERAÇÃO MABECOS 22 DE FEVEREIRO DE 1971

PICHE  GUINÉ - ZONA LESTE - VISTA DE SUDESTE - PARCIAL DO AQUARTELAMENTO
OPERAÇÃO MABECOS 
SEGUNDA - FEIRA 22 DE FEVEREIRO DE 1971
- Ordem de operações nº 1, de 21 Fev. 1971 - Composição das forças: 1º - 2º - 3º - 4º PEL/ C.ART 3332. 3º e 4º PEL/CCAV 2749 ( BCAV 2922). Duas secções de milícias 249. Uma Secção de milícias 246, com Morteiro 60, e 30 granadas. Uma Secção Morteiro 81, 30 granadas.Artilharia Pesada: 4 Obus 11,4 com 160 Granadas, 2 Obus 14, com 100, 3 Obus 14 com 120 , e duas WHITE PEL/REC 2. 
- Objectivo. Posicionar - se próximo da fronteira, Rio Campa, Junto ao Corubal e bombardear posições IN na região de Foulamory (Guiné Conacri). 
Mas,ia ser um dia muito negro e amargo, para estes bravos guerreiros.
Nesse dia, depois de ir para o mato, incorporado no 1º G.C. CART 3332 numa manobra de despiste, integrada nos planos da operação Mabecos. Regressei. Almocei e, já na caserna pequena, (CSS da CART 3332 ) junto à piscina, ouvi rebentamentos dentro do aquartelamento.Com outros camaradas, saltei para a vala e, só depois deste impulso e ouvindo gritos e pessoas a correr, é que admiti que era de facto um acidente. Aproximei - me da caserna onde já estavam vários camaradas a prestar socorro e, por entre fumo, gritos, e destruição, reparei à entrada, no chão... uma bota com um pé calçado com parte da perna,Um camarada ensanguentado e esbaforido, sai para o exterior sem uma perna. No interior, havia gritos de dor e vultos tombados. Enfermeiros e outros que ali se encontravam pediram para retirar, e assim fiz. Saí dali consternado com o cenário, e como se deve imaginar completamente destroçado com a "derrota" e, sofrimento daquelas vitimas, do 4º Pelotão da Companhia de Cavalaria 2749 ( Bat, 2922). Este, estava nesse dia, destacado para participar na Operação "Mabecos". O seu comandante, alferes Atir. Cav. Luís Alberto Andrade, estava impossibilitado de chefiar, em virtude, de uma lesão num joelho, substitui - o o furriel Atir Cav.Carlos Alberto Carvalho,que havia saído da caserna segundos antes, após distribuir rações de combate e saber da operacionalidade da força...Sorte?!. As "sortes" e o azar estavam lançados.

 Regresso dos guerreiros a casa (Piche). Empoeirados e tristes e com sede de vingança. A missão "soube" a derrota

A Operação Mabecos que tinha começado de manhã às 6:00. Ia ser executada mesmo já atrasada na hora prevista. A força pôs -se em movimento: 1º - 2º - 3º - 4º PEL/ C.ART 3332.  3º e 4º PEL/CCAV 2749 ( BCAV 2922). Duas secções de milícias, 249. Uma Secção de milícias, 246, com Morteiro 60 e 30 granadas. Uma Secção Morteiro 81, 30 granadas. Artilharia Pesada: 4 Obus 11,4 com 160 Granadas, 2 Obus 14, com 100, 3 Obus 14 com 120 , e duas WHITE, PEL.E. REC.

PICHE rio Campa 22 02 71 Operação Mabecos.10 segundos antes da emboscada.O 4º pelotão abrigou -se na mata à direita onde estava postado, 

 - Conforme o previsto. Rumaram ao objectivo. Já próximos. Os "Piras do 3º G.C CART 3332 passam para a testa da Coluna. E são vislumbrados à distancia negros fardados. Uma consulta rápida para saber se ali havia segurança das nossa tropa... - Não havia... - Há que flanquear, a progressão das tropas.Em continuo e, mal entrados no mato...O IN,tenta o assalto.Abre-se a emboscada,que de inesperada e traiçoeira e olhos nos olhos,é sufocante e tremenda. Há que se posicionar fazendo um recuo para se entrincheirar.

Bombardeamento matinal, após uma noite dramática, entre nevoeiro, pó e fumo, à posição Foulamori (Guiné Conacri)

Metralha Intensa e violenta.Explosões que surpreendem, com fumo e pó que cegam .Tentativa de avanço do IN. Os "piras" do 3º G. C. CART 3332, defendem, ripostando, como podem a posição.Uma White cai numa cova e fica imobilizada: a metralhadora encrava.A segunda White fica inoperacional, sem ter dado um tiro (.). Há Unimogues semi destruídos. Feridos: alguns, com gravidade. O resto da força tinha ficado fora da linha de fogo. A 1ª secção do 3º G .C já havia pago a factura: 3 mortos e um capturado em virtude da execução do flanqueamento. Anoitecia. O inimigo não abrandava a intensidade do fogo. Os nossos homens ripostavam. Entretanto os homens da Artilharia Pesada, desengatam as peças de obus das berlliets e de imediato fazem tiro directo, sobre as copas das arvores em direcção à posição Inimiga. E silenciam - na, com mais munições. A noite vai ser terrivelmente dramática. O inimigo "manhoso", vai se aproximar, silencioso, para não ser alvejado. Vai ter oportunidade de assaltar e vandalizar os corpos feridos e, já mortos, do: 1º Cabo Costa e, dos soldados: Mota e Araújo. Os obuses batem a zona mais próxima com tiro tenso...  No terreno os combatentes em trincheiras feitas com as mãos e facas do mato não dormem. A manhã que tarda, sabe a poeira, pólvora, e a uma sensação estranha, que só quem viveu a guerra olhos nos olhos, sente. Para todos, era a segunda vez em menos de 15 dias. E ainda havia a lamentável e, dolorosa surpresa. Ninguém sabia, a já contada aqui.... Morte dos nossos 3 heróis e, o desaparecimento do 1º Cabo Fortunato. Surpresos, não queriam acreditar.Na acção de recuo posicional e, porque já de noite, não fora dada a falta destes elementos. Assim, era de espanto e derrota o semblante "negro"dos nossos heróis periquitos que juravam vingança....


Obuses, no dia 23 de Fevereiro, no regresso. O cenário é da emboscada no dia anterior


Fotos de alferes ATIR ART JORGE CARNEIRO PINTO CART 3332 GUINÉ 1970 - 1972.
Aquartelamento:(Foto): de 1º Cabo Sebastião Soares Fernandes do 3º  G C  CART 3332: 
Relato de 1º Cabo TRMS INFANT Eduardo Lopes  CART 3332 GUINÉ 1970 -1972

sábado, 25 de dezembro de 2010

NATAL NA GUINÉ - PICHE ZONA LESTE - HÁ 39 ANOS

Aquartelamento visto de Sul 

NATAL 1971. Cartão de Boas Festas do Alferes Jorge Carneiro Pinto, 4º Grupo de Combate da CART 3332 
    Presépio da cantina das praças
                               Refeitório das praças devidamente engalanado para a ceia de Natal
                      24:00 do dia 24 de Dezembro de 1971 Ceia dos Oficiais Sargentos e Furriéis
               24:00 do dia 24 de Dezembro de 1971 Ceia dos Oficiais Sargentos e Furriéis
Em edição»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

ÍNDIA PORTUGUESA - 17 DE DEZEMBRO A EVASÃO


Anoitecer de 17 de Dezembro de 1961. 

50 mil tropas da União Indiana invadem o Estado Português da Índia, Goa Damão e Diu. Vai iniciar-se uma dos mais humilhantes situações de Guerra de toda história colonial Portuguesa. Os Soldados Portugueses em "gritante minoria" serão incentivados a defender as suas posições, até à morte sem rendições ( Salazar ). Segue - se 6 indignos meses de cativeiro, e como mais tarde, depois do 25 de Abril: menorizados e culpabilizados. Não será reconhecida a sua sofrida prestação,

ESQUADRÃO DE RECONHECIMENTO 4 - ÍNDIA 1958 - 1961
BiCHOLIM - MAULINGUEM - SANQUELIM E VALPOI
 Índia - Sanquelim. Parque Auto - Na imagem alegres, juntam-se ao blindado para uma foto colectiva.Dias antes deste dramático e fatal acontecimeto.
Valpoi - Goa - Índia Portuguesa - Manuel de Jesus Meireles Posto de Vigia 1960 -1962 

                   Índia. Partida de Valpoi para Sanquelim no dia 23 de Junho de 1961.

                                                 Índia. Regresso de uma patrulha em Sanquelim
Equipa de Futebol da guarnição de  Valpoi. De pé: esquerda para a direita: Costa, Pinto, Aurélio, Agenor, Pedrosa, Mendes e Amândio. De joelhos: Tavares, Fernando, Carlos, Meireles e Pires.
Manuel de Jesus Meireles Sold. de Cavalaria Cond Auto Rodas nº 23 60.
PARA A HISTÓRIA - OS LIVROS A NÃO PERDER: 

A QUEDA DA ÍNDIA PORTUGUESA 
Crónica da Invasão e do Cativeiro, de Carlos Alexandre de Morais (Coronel)
3ª Edição da Editorial Estampa 
Colecção: Histórias de Portugal
- Do livro .....Dia 18 de Novembro 1961. Pelas 6:30 soube - se por um telefonema de que a União Indiana iniciara a Invasão de Goa pelo norte com preparação de artilharia durante quatro horas. Pelas 07:40 deu - se o segundo bombardeamento ao aeroporto. Ás 12:00. Três navios Indianos, que se aproximavam da barra do rio Zuarí, iniciaram o combate naval....
As horas, os dias da invasão, o relato humano e cru do humilhante cativeiro. Todos os intervenientes e as suas decisões, que marcaram para o "bem ou para o mal" o fim de quinhentos anos da nossa " Jóia da Coroa ".
Os Amantes da nossa história colectiva não devem perder esta leitura.
A QUEDA DA ÍNDIA PORTUGUESA 
Crónica da Invasão e do Cativeiro, de Carlos Alexandre de Morais (Coronel).
A QUEDA DA ÍNDIA PORTUGUESA 
Crónica da Invasão e do Cativeiro, de Carlos Alexandre de Morais (Coronel ) "Contra Capa"
3ª Edição da Editorial Estampa 
Colecção: Histórias de Portugal
JOSÉ PAIS -
"DO QUE MAIS SE ORGULHA É DE TER SERVIDO PORTUGAL COMO COMBATENTE"
DO SEU LIVRO. HISTÓRIAS DE GUERRA
Natural de Vila Nova de Foz Coa é Oficial do Exercito e reformado por ferimentos em combate. Cumpriu quatro comissões em combate desde 1961 a 1972 na guerra do Ultramar tendo assistido à invasão de Goa onde ficou prisioneiro de guerra durante meio ano, foi ferido em combate em Nambuangongo e, com gravidade em Farim, na Guiné, com três anos de internamento hospitalar.
Da sua vasta experiência de comando de tropas em combate, portuguesas e africanas mandingas e muçulmanas, resulta este despretensioso livro que relata factos vividos, alguns bem dramáticos
( texto da apresentação de livro no interior da capa)
Contra capa de: HISTÓRIAS DE GUERRA
de JOSÉ PAIS - 2002 - da Editora Prefácio
Da biografia deste notável Guerreiro, destacámos, e ainda, do texto de apresentação do livro na face interior de capa.
Executou funções na Protecção Civil que fundou em Portugal e na estrutura civil Nato. Participou activamente: no 25 de Abril, 28 de Setembro e, 25 de Novembro
Fundou e lidera Associação dos Ex - Prisioneiros de Guerra da Índia e Timor e a Associação Portuguesa de ex - Combatentes da Guiné.
"A leitura deste livro, pelos relatos em diversos teatros de operacionalidade e vivência em ambiente de guerra é altamente aconselhável.
Fotos de Manuel de Jesus Meireles. Digitalização texto e tratamento edutlopes.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

SALTINHO - GUINÉ 2010 - 3ª COMP ( BCAÇ 4615/73, CCAÇ 3490 ( BCAÇ 3872), CCAÇ 2701, CCAÇ 2406, PEL CAÇ 53, PEL CAÇ 63,

SALTINHO, EM 1964 ERA POSIÇÃO CHARNEIRA NA LINHA: FÃ MANDINGA - GALOMARO. ATÉ AO RIO CORUBAL. COM OS TEMPOS FOI - SE ADAPTANDO A NOVOS DISPOSITIVOS QUE VISAVAM A MELHOR ESTRATÉGIA PARA DEFESA DA POSIÇÃO E DA CONTRA PENETRAÇÃO NA GUERRA COLONIAL. SEMPRE BELA, MESMO EM TEMPO DE GUERRA - O NOSSO EX  ALFERES OP INFO JORGE PETIZ CCS (CCAV2922) PICHE 1970 - 1972,  NA SUA VISITA À GUINÉ  PRIVILEGIOU ESTA LOCALIDADE,QUE DURANTE A GUERRA COLONIAL
 ( ULTRAMAR ) ALBERGOU OS GUEREIROS DAS: 3ª COMP ( BCAÇ 4615/73, CCAÇ 3490
( BCAÇ 3872), CCAÇ 2701, CCAÇ 2406,  PEL CAÇ 53,  PEL CAÇ 63.
Foto 1
Foto 2
Foto 3
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Foto 5
Foto 6
Foto 7
AS FOTOS ADICIONADAS SÃO PROPRIEDADE DE  JORGE PETIZ E FORAM CEDIDAS AO BLOGUE  "A GUERRA NUNCA ACABA PARA QUEM SE BATEU EN COMBATE" PELO PRÓPRIO PARA SUA DIVULGAÇÃO.SEGUNDA FEIRA 12 DE ABRIL DE 2010
Nota: O antigo quartel do Saltinho foi comprado pelo Sr Fernando. Natural da Ponte do Sôr, que o transformou num clube de caça e pesca. As instalações são agradáveis e. o local bastante bonito ajudado pelo rio Corubal e as  suas quedas de água. De cima da ponte tiram -se boas fotografias.
Texto da nota, produzido por Jorge Petiz

domingo, 24 de outubro de 2010

2ª COMP BCAÇ 4516/73 - CCAÇ 3545 - CCAV 2748 - CART 2439 - CCAÇ 1623 - PEL MORT 1029 - CCAÇ 817 - CCAÇ 727 - CANQUELIFÃ - GUINÉ 2010 - TEMPOS DE PAZ

1880  PACHISE ( CANQUELIFA) KANKELIFA (PRAÇA FORTIFICADA ) POVOADA POR MANDINGAS ANIMISTAS SITUAVA - SE  NO REINO DO FIRDU SENDO NA ALTURA  GOVERNADO PELO REI"MUSSA MOLO" QUE NUM AMBIENTE DE GUERRA TRIBAL CONTINUO TANTO SE ALIAVA AOS PORTUGUESES COMO FAZIA TRATADO DE  PROTECÇÃO COM OS FRANCESES.
Breve cronologia - 03 de Novembro de 1883, Os franceses firmam tratado de protectorado do Firdu de Mussa Molo -12 de Maio de 1886: Assinatura em Paris da delimitação Franco Portuguesa. - 21 de Janeiro de 1895  Tomada de Cnquelifã ( Pachise) pelos franceses e Mussa Molo Até que em 1903 é definitivamente Portuguesa por delimitação de fronteiras com os franceses.

A Partir de 1964 a povoação de Canquelifã volta outra vez a ser  Praça Forte com a implantação de um aquartelamento Para defesa do território agora ameaçado pelo PAIGC Indepentista.
Várias levas de  combatentes vão defender aquele reduto até 1974: 1ª COMP BCAÇ 4610/73 -2ª COMP BCAÇ 4516/73 - CCAÇ 3545 - CCAV 2748 - CART 2439 - CCAÇ 1623 - CCAÇ 817 CCAÇ 727 - PEL MORT 1029  (Entrada sul do aquartelamento: foto de edutlopes Julho/71)

Não é por acaso que o ALf. Jorge Petiz Da CCS BCAV 2922 a 13 04 2010. escolhe este destino para visitar e colher fotos do que resta da vivência de guerra Colonial naquela povoação portuguesa.
 Parada de aquartelamento.(Foto edutlopes/ Julho de1971).
Foto 1- Memorial aos que tombaram da CCAV 2748 (BCAV 2922) Guiné 1970 - 1972
Foto 2 Memorial da CCAÇ 1623  Guiné 1966 - 1968
Foto 3 - Restos de cenários de guerra  na quietude da tarde africana Canquelifã. Quantas lutas ? 
Foto 4 - Para os seguidores da guerra Colonial é importante ler o livro de Fernando Sousa Henriques  CCAÇ" 3545 Canquelifã 1972/1974 - NO OCASO DA GUERRA DO ULTRAMAR" em que aborda tudo sobre esta povoação e as lutas infernais aqui travadas com os guerrilheiros do PAIGC
Foto 5 - MEMORIAL DA CCAV 2748 - ( BCAV 2922 ) GUINÉ 1970 - 1972
Foto 6  MEMORIAL DA CCAV 2748 BCAV 2922 Os homens grandes de Canquelifã guardam estes marcos com respeito há 36 Anos.
 Foto 7 Ruínas que dão aperceber uma arquitectura europeia que não se apaga fácil mente. Era construído pelos nossos abnegados soldados, quando não estavam ao serviço operacional...
 Foto 8 - O Alferes CIOE Henriques (de chapeu) da CCAÇ 3545 (BCAV 3883 ) GUINÉ 1972 -1974 no que resta das antigas instalações
Foto 9 - A Visita aos restos do quartel,  teve a companhia dos homens grandes da povoação que recebeu os visitantes com  simpatia, respeito e amizade Conversando animadamente e lembrando locais e factos
Foto 10 - Árvores frondosas (Mangueiras) sombreiam restos de cenários que testemunharam o Sangue Suor e Lágrimas de uma geração de Heróis.
Foto 11 - Aquartelamento -Balneários 
 Foto 12  -O gabinete do Capitão Castro Neves da CCAV 2748  1970 1972 ,que é ocupado por um militar das FAG, e onde o Autor e Proprietário das 12 Imagens Alf. OP. INFO. CCS .(BCAV 2922) Guiné 1970 - 1972 se faz fotografar.