domingo, 9 de setembro de 2012
sábado, 16 de junho de 2012
BATALHÃO DE CAVALARIA 2922 - "BCAV 2922" ESTREMOZ 40 ANOS APÓS O REGRESSO
REGIMENTO DE CAVALARIA Nº 3 ESTREMOZ 16 DE JUNHO DE 2012
LARGO DOS DRAGÕES DE OLIVENÇA - RUA SERPA PINTO - E MONUMENTO AOS COMBATENTES
LARGO DOS DRAGÕES DE OLIVENÇA - A CONCENTRAÇÃO
DO INTERIOR DO QUARTEL E NO LARGO DOS DRAGÕES DE OLIVENÇA VAI AUMENTANDO A AFLUÊNCIA DE COMBATENTES AMIGOS E FAMILIARES DO BCAV 292211:06 - A MEMÓRIA AOS CAÍDOS EM COMBATE NA PARADA DOS DRAGÕES DE OLIVENÇA CEDO DE APINHOU DE CAMARADAS FAMILIARES E AMIGOS PARA UM RECONHECIMENTO DOS NOMES DOS HERÓIS "GRAVADOS NA PEDRA"
11: 26 - SALA DE HONRA DO REGIMENTO DE CAVALARIA 3
11:29 - RECEPÇÃO DE SUA EXA SNR CORONEL DE CAVALARIA PAULO GEADA COMANDANTE DO REGIMENTO DE CAVALARIA 3 AOS COMANDANTES DAS CCS CAPITÃO MONIZ BARRETO, DA 2948 - CAPITÃO CASTRO NEVES E DO BCAV 2922 O MAJOR CALISTO HOJE TODOS GRADUADOS EM CORONÉIS RES.
11:39 - UMA "GARBOSA E BELÍSSIMA" GUARDA DE HONRA PARA OS HERÓIS DO BCAV 2922
11:39:45 - BOUQUET DE FLORES PARA HONRAR OS QUE «CAÍRAM EM COMBATE

11:39.59 - DEPOSIÇÃO DAS FLORES NA BASE DA MEMÓRIA
11: 40 :11 - MOMENTO DE GRANDE ELEVAÇÃO PARA TODOS OS PRESENTES
11:40: 12 - COR CALISTO 2 CMDT (MAJOR) DO BCAV 2922 GUINÉ 1970 - 1972.
SNR CORONEL DE CAVALARIA PAULO GEADA COMANDANTE DO REGIMENTO DE CAVALARIA 3 ( Fazendo continência ) E OS COMANDANTES DAS CCS: CAPITÃO MONIZ BARRETO, E DA 2948: CAPITÃO CASTRO NEVES EM SENTIDO EM APRESENTAR ARMAS. ( AMBOS CORONÉIS RES).EUCARISTIA NA CAPELA PELOS CAÍDOS EM COMBATE E POR TODOS OS QUE NO ENTANTO APÓS FELIZ REGRESSO FALECERAM.
CLAUSTROS DO CONVENTO FRANCISCANO DO SÉCULO XIII
QUARTEL DE CAVALARIA 3
MUSEU DA UNIDADE - GUIÕES DAS BATALHÕES E COMPANHIAS QUE PRESTARAM COMISSÃO NOS MAIS DIVERSOS TEATROS DE GUERRA
Continuamos a editar
quinta-feira, 26 de abril de 2012
25 DE ABRIL DE 2012 - 38 ANOS MAIS UM DIA DEPOIS PARA REFLEXÃO
Hoje ( 38 anos depois da festa revolucionária que
sacudiu o país e trouxe a esperança ao seu Povo) é um dia tristonho, não por
causa da chuva, que até continua a fazer bem, mas pelo estado em que os
políticos portugueses, com a conivência de quem transformou a esperança em
oportunismo fraudulento, puseram Portugal.
Não, não vamos para a rua
destruir património, o que nos deixaria ainda mais pobres. Mas há que refletir,
aprender com os erros - nossos e/ou dos outros - que arrastaram o país
para o abismo de que se abeira.
Ajudemos a construir uma
mentalidade colectiva sólida e eficiente, para que cheguemos, finalmente, a
sentir o chão que pisamos - o nosso chão. Mas não abandonemos a utopia que
continuará a ser alimento para todos os que sonharam e sonham com um tempo novo
onde a paz, a fraternidade e a justiça social se tornem paradigma.
Para os que acreditaram
num Portugal a sério, aqui deixo o meu poema, escrito já em 1993, mas cada vez
mais actualíssimo.
Se entenderem que faz sentido
reencaminhar, para os vossos contactos, esta mensagem, façam-no, pelo nosso
país.
MINHA PÁTRIA MINHA
Minha Pátria!
Minha Pátria minha!
Que luta, para te libertares do
cárcere medonho
Onde quase morreste esquecida!
Que sofrimento!
Que raiva!
Que dor!
E o algoz do tempo a falar de
amor?!
E a violar-te na imunda cela
Onde te guardava
Com guardas à porta,
Grades na janela,
... E, tu, quase morta!
Minha Pátria!
Que triste provação!
Qual herança sofrida por quem
te amou e te ama!
Morreram filhos teus
Sob a noite quase eterna que se
abateu...
Houve fome de justiça
-- Esse alimento, esse
pão
Que te roubaram da mão --
E a mentira era a mesa
Onde comiam os lobos, sob a
qual dormia o cão.
E enquanto o tempo corria
A esperança esperava
E definhava
E gemia,
Arrastando-se no tédio que
alastrava!
Mas a fé escapou da infinita
agonia
Para gritar
E gritou, gritou, gritou...
E os poetas ouviram
E tua alma, espezinhada,
sonhou!
Sonhou ainda,
Sonhou.
E, um dia, Abril chegou.
Aleluia!
E o Sol raiou.
O Sol raiou para todos
E os poetas cantaram.
Teus mortos ressuscitaram,
Tu deste-me a Liberdade
E eu caí em seus braços.
Mas o tempo não parou.
Tu deixaste de sonhar
E o Abril passou.
Deixou-te esta nostalgia
Com que matas as saudades dos
teus sonhos.
Tens de voltar a sonhar, Pátria
minha!
Tens de voltar a sonhar,
Mesmo que tempos medonhos
venham para te matar.
Mas tu nunca morrerás!
Tens de voltar a sonhar com
Abril!
Abril! Que saudade!
Tens de voltar a sonhar,
Mas com um Abril de verdade
Que venha para ficar!
Abril de 1993
in: Sérgio
O. Sá, Versos na Guerra - Versos de Paz.
Um cordial abraço
Sérgio O. Sá
quinta-feira, 15 de março de 2012
GUERRA DE ANGOLA de HÉLIO FRAGA "O LIVRO"
GUERRA EM ANGOLA de HÉLIO ESTEVES FELGAS
Na nossa selecção de leituras, e porque muitos de nós na altura emotivamente desliga-mo nos das realidades de nossas missões. Até porque o 25 de Abril apagou o brilho, amaldiçoando as nossas abnegadas e generosas missões de soberania ( assim lhe chamavam as nossas chefias). Hoje, que são passados 51 anos do início da Guerra em Angola, e 50 anos da edição deste novel livro (1962) que clara, directa, fluentemente e com imagens "vivas" relata o antes e depois de 15 de Março de 1961 queremos deixar aqui, para que todos os nossos amigos e visitantes tenham conhecimento dos genuínos arautos da nossa saga na Guerra Colonial ( também chamada do Ultramar ) e que consideramos "OS LIVROS DAS NOSSAS GUERRAS"
ÍNDICE
Pagina - 007 - INTRODUÇÃO
Pagina - 013 - ANGOLA NA ÁFRICA DE 1961
Pagina - 025 - A ECLOSÃO DO MOVIMENTO
Pagina - 039 - ANTECEDENTES
Pagina - 061 - OS MASSACRES DO CÓLUA, DO ÚCUA E DO LUCUNGA
Pagina - 069 - PRIMEIRAS PROVIDENCIAS ADOPTADAS
Pagina - 079 - O RECRUDESCIMENTO DA ACTIVIDADE TERRORISTA
Pagina - 089 - A VISITA A ANGOLA DO MINISTRO ADRIANO MOREIRA
Pagina - 095 - O AUGE DO TERRORISMO
Pagina - 109 - O INÍCIO DA REOCUPAÇÃO MILITAR
Pagina - 121 - DIÁRIO DE DESTRUIÇÕES
Pagina - 135 - REFLEXÕES INTERNACIONAIS DOS ACONTECIMENTOS
Pagina - 155 - NANBUANGONGO
Pagina - 161 - O DECLÍNIO DO TERRORISMO
Pagina - 171 - A INTENSIFICAÇÃO DA ACTIVIDADE MILITAR
Pagina - 187 - A REOCUPAÇÃO TOTAL DAS POVOAÇÕES E POSTOS
Pagina - 210 - O FIM DAS OPERAÇÕES MILITARES
Pagina - 213 - BALANÇO DE PESADELO
Pagina - 223 - PALAVRAS FINAIS
3ª Edição
Livraria Clássica Editora
A. M. Teixeira & Filhos L.da
Rua dos Restauradores, 17
Esta obra acabou de se imprimir em 23 de Janeiro de 1962, nas oficinas da Gráfica Santelmo - Rua São Bernardo 84 - Lisboa
GUERRA EM ANGOLA é o primeiro relato completo dos acontecimentos que ensanguentaram o Norte da Província de Angola
O autor que viveu mais de quatro anos na região assolada pelo terrorismo, - pois foi Governador de Distrito do Congo até Abril de 1960 - Começa por enquadrar a Angola de 1960 - pacifica, progressiva e isenta de segregação racial - na conturbada África de hoje. Faz depois uma descrição dos massacres perpetrados no tristemente famoso 15 de Março de 1961.
Os antecedentes de acontecimentos tão graves são em seguida apontados com autoridade de quem conhece bem Angola e de quem tem gasto boa parte da sua vida estudando a evolução política da África actual. Nele se foca a clara e nítida intervenção estrangeira.
O alastramento do terrorismo e as facetas que ele tomou são os assuntos tratados com um pormenor quase diário. O mesmo se dirá das operações militares-que conduziram à reocupação de todos os postos e povoações abandonadas e da actividade dos Voluntários Civis - a cargo de quem ficou a recuperação das Fazendas Agrícolas, em grande parte depredadas e destruídas pelo inimigo.
Realce especial é dado em seguida aos reflexos internacionais do terrorismo de Angola.
A apresentação de um balanço realístico dos acontecimentos preenche a última parte deste livro onde, a cada passo, de incluem considerações e esclarecimentos que reflectem a idoneidade do Autor na matéria e realçam, por um lado, a crueldade e o primitivismo bárbaro dos terroristas e, por outro, a firmesa heróica dos civis, a eficiência das Forças Armadas e a lealdade e o patriotismo da quase totalidade das povoações nativas.
(Texto acima impresso na contra capa do livro com a assinatura: Oficina Gráficos, Lda.)

Infografia inserida no livro com as regiões e localidades atacadas nos dias de hoje e e de amanhá. Há 51 anos 
Imagem do livro.Trabalhadores de uma fazenda barbaramente massacrados pelos terroristas
Na nossa selecção de leituras, e porque muitos de nós na altura emotivamente desliga-mo nos das realidades de nossas missões. Até porque o 25 de Abril apagou o brilho, amaldiçoando as nossas abnegadas e generosas missões de soberania ( assim lhe chamavam as nossas chefias). Hoje, que são passados 51 anos do início da Guerra em Angola, e 50 anos da edição deste novel livro (1962) que clara, directa, fluentemente e com imagens "vivas" relata o antes e depois de 15 de Março de 1961 queremos deixar aqui, para que todos os nossos amigos e visitantes tenham conhecimento dos genuínos arautos da nossa saga na Guerra Colonial ( também chamada do Ultramar ) e que consideramos "OS LIVROS DAS NOSSAS GUERRAS"
ÍNDICE
Pagina - 007 - INTRODUÇÃO
Pagina - 013 - ANGOLA NA ÁFRICA DE 1961
Pagina - 025 - A ECLOSÃO DO MOVIMENTO
Pagina - 039 - ANTECEDENTES
Pagina - 061 - OS MASSACRES DO CÓLUA, DO ÚCUA E DO LUCUNGA
Pagina - 069 - PRIMEIRAS PROVIDENCIAS ADOPTADAS
Pagina - 079 - O RECRUDESCIMENTO DA ACTIVIDADE TERRORISTA
Pagina - 089 - A VISITA A ANGOLA DO MINISTRO ADRIANO MOREIRA
Pagina - 095 - O AUGE DO TERRORISMO
Pagina - 109 - O INÍCIO DA REOCUPAÇÃO MILITAR
Pagina - 121 - DIÁRIO DE DESTRUIÇÕES
Pagina - 135 - REFLEXÕES INTERNACIONAIS DOS ACONTECIMENTOS
Pagina - 155 - NANBUANGONGO
Pagina - 161 - O DECLÍNIO DO TERRORISMO
Pagina - 171 - A INTENSIFICAÇÃO DA ACTIVIDADE MILITAR
Pagina - 187 - A REOCUPAÇÃO TOTAL DAS POVOAÇÕES E POSTOS
Pagina - 210 - O FIM DAS OPERAÇÕES MILITARES
Pagina - 213 - BALANÇO DE PESADELO
Pagina - 223 - PALAVRAS FINAIS
3ª Edição
Livraria Clássica Editora
A. M. Teixeira & Filhos L.da
Rua dos Restauradores, 17
Esta obra acabou de se imprimir em 23 de Janeiro de 1962, nas oficinas da Gráfica Santelmo - Rua São Bernardo 84 - Lisboa
GUERRA EM ANGOLA é o primeiro relato completo dos acontecimentos que ensanguentaram o Norte da Província de Angola
O autor que viveu mais de quatro anos na região assolada pelo terrorismo, - pois foi Governador de Distrito do Congo até Abril de 1960 - Começa por enquadrar a Angola de 1960 - pacifica, progressiva e isenta de segregação racial - na conturbada África de hoje. Faz depois uma descrição dos massacres perpetrados no tristemente famoso 15 de Março de 1961.
Os antecedentes de acontecimentos tão graves são em seguida apontados com autoridade de quem conhece bem Angola e de quem tem gasto boa parte da sua vida estudando a evolução política da África actual. Nele se foca a clara e nítida intervenção estrangeira.
O alastramento do terrorismo e as facetas que ele tomou são os assuntos tratados com um pormenor quase diário. O mesmo se dirá das operações militares-que conduziram à reocupação de todos os postos e povoações abandonadas e da actividade dos Voluntários Civis - a cargo de quem ficou a recuperação das Fazendas Agrícolas, em grande parte depredadas e destruídas pelo inimigo.
Realce especial é dado em seguida aos reflexos internacionais do terrorismo de Angola.
A apresentação de um balanço realístico dos acontecimentos preenche a última parte deste livro onde, a cada passo, de incluem considerações e esclarecimentos que reflectem a idoneidade do Autor na matéria e realçam, por um lado, a crueldade e o primitivismo bárbaro dos terroristas e, por outro, a firmesa heróica dos civis, a eficiência das Forças Armadas e a lealdade e o patriotismo da quase totalidade das povoações nativas.
(Texto acima impresso na contra capa do livro com a assinatura: Oficina Gráficos, Lda.)

Infografia inserida no livro com as regiões e localidades atacadas nos dias de hoje e e de amanhá. Há 51 anos

Imagem do livro.Trabalhadores de uma fazenda barbaramente massacrados pelos terroristas
sábado, 11 de fevereiro de 2012
sábado, 4 de fevereiro de 2012
LUANDA - ANGOLA - NOITE DE SÁBADO DE 04 DE FEVEREIRO DE 1961
....
- Vocês deixa o branco chegar perto e ataca como eu ensinei - segredou o « senhor Fernando», empurrando para a sua frente dois dos companheiros, enquanto ele próprio recuava para detrás dum «jota» da composição ferroviária.
Donde é a vinda, a estas lindas horas? - perguntou o cabo em tom amigável, aproximando -se confiadamente, de mãos nos bolsos.
Mas reparando de repente, no cabecilha e na sua pistola-metralhadora, acrescentou, siderado de espanto:
-Ele que raio de história é essa?!
E não teve tempo de dizer mais nada.Um dos bandidos arrancara a catana detrás das costas e atingira -o com uma cutilada na cabeça. E logo outra catanada, vibrada num braço, que lhe fez cair inerte a mão que buscava, no coldre, a coronha da pistola.
Tentou recuar, meio cego pelo sangue que lhe escorria da cabeça e rilhando os dentes a dominar a dor.
- Corre a avisar o Quartel General - Gritou para a sentinela que vinha em seu auxilio - Ai!...
O gemido estertorou-se-lhe na garganta que uma catanada certeira cortara profundamente.
-Às armas - bradou a sentinela. E já carregava sobre os facínoras, de baioneta em riste, quando sentiu que o seu camarada branco, tombado no chão, erguia para ele uma mão convulsa, num esforço derradeiro, a lembrar -lhe a ordem dada. E reparou também que o negro da pistola-metralhadora avançava para ele, convidando:
- Entrega a tua arma e vem combater do nosso lado. Não deves ficar do lado do branco. Tu é preto...
- E tu é burro!- ripostou-lhe com desprezo- Eu não entrego nada. Eu sou soldado português!
Fez novamente menção de carregar à baioneta. Mas repentinamente recuou, em dois saltos bruscos, e largou numa rapidíssima corrida para o jeep do Comandante, bradando outra vez, a toda a força dos pulmões.
- Às armas!...
Passada a momentânea desorientação causada pela imprevista atitude do soldado, os facínoras correram sobre ele. Mas já o jeep arrancava e rompia a grande velocidade, por entre a malandragem que abria caminho, espavorida. Com uma das mãos no volante e a outra a segurar a velha «Mauser». a sentinela negra ainda viu, no turbilhão daqueles terríveis segundos, o rodopio das catanas de ambos os lados do carro; e sentiu uma dor aguda num ombro; e aguentou o embate de algumas pedradas nas costas; e percebeu vagamente que por cima da porta de armas, na frontaria da Fortaleza, se abria uma janela...
- «É o nosso Comandante que já acordou...»- pensou, contente de verificar que estava dado o alarme. E carregou mais no acelerador, distanciando -se rapidamente dos seus perseguidores.
Atravessou o parque dos minérios, quando ouviu. lá para trás, o estalar secos dos primeiros tiros: era a pequena guarnição da fortaleza que se batia, resistindo galhardamente ao ataque:
Recordou, por momentos «o nosso cabo», aquele jovial camarada branco, retalhado e sangrento, escabujando no chão, sob as catanas dos assassinos. E acelerou ao máximo, com as mãos crispadas no volante e os dentes cerrados numa raivosa ânsia de chegar depressa.
Ante os seus olhos, desfilavam vertiginosamente as luzes da Avenida Marginal, desdobradas num rosário de missangas sobre o espelho sereno da baía ...... e num ápice, chegou à rua do Esquadrão e travando bruscamente à entrada do Quartel da Polícia, gritando para os guardas de piquete:
- Acudam à Casa da Reclusão! Está a ser atacada pelos bandidos!
- Como é isso? - perguntou um dos guardas.
Mas já o «jeep» arrancava , em direcção à avenida Álvaro Ferreira, rasgando o silêncio da noite com o roncar do motor.
- Que há?- acudiu a perguntar um soldado cuanhama, quando o carro estacou junto do Quartel General.
- Há um ataque de negros à casa da Reclusão. Avisa o nosso oficial de serviço. Depressa....
Assim descreve Rui Ventura no seu livro "SANGUE NO CAPIM" do qual transcrevemos este excerto que julgamos brilhante para fazermos um juízo do início das actividades indepentistas que nos vão levar à luta armada em Angola, até 1974.
SANGUE NO CAPIM ( CENAS DE GUERRA EM ANGOLA ), é da autoria de Rui Ventura, natural de Chaves, e residente na altura, em Angola. Na imagem acima a capa da 4ª edição.
Rui Ventura editou um vintena de livros, todos eles com conteúdo histórico e de elevado interesse. SANGUE NO CAPIM, é um deles... leituras que não podemos ignorar
- Vocês deixa o branco chegar perto e ataca como eu ensinei - segredou o « senhor Fernando», empurrando para a sua frente dois dos companheiros, enquanto ele próprio recuava para detrás dum «jota» da composição ferroviária.
Donde é a vinda, a estas lindas horas? - perguntou o cabo em tom amigável, aproximando -se confiadamente, de mãos nos bolsos.
Mas reparando de repente, no cabecilha e na sua pistola-metralhadora, acrescentou, siderado de espanto:
-Ele que raio de história é essa?!
E não teve tempo de dizer mais nada.Um dos bandidos arrancara a catana detrás das costas e atingira -o com uma cutilada na cabeça. E logo outra catanada, vibrada num braço, que lhe fez cair inerte a mão que buscava, no coldre, a coronha da pistola.
Tentou recuar, meio cego pelo sangue que lhe escorria da cabeça e rilhando os dentes a dominar a dor.
- Corre a avisar o Quartel General - Gritou para a sentinela que vinha em seu auxilio - Ai!...
O gemido estertorou-se-lhe na garganta que uma catanada certeira cortara profundamente.
-Às armas - bradou a sentinela. E já carregava sobre os facínoras, de baioneta em riste, quando sentiu que o seu camarada branco, tombado no chão, erguia para ele uma mão convulsa, num esforço derradeiro, a lembrar -lhe a ordem dada. E reparou também que o negro da pistola-metralhadora avançava para ele, convidando:
- Entrega a tua arma e vem combater do nosso lado. Não deves ficar do lado do branco. Tu é preto...
- E tu é burro!- ripostou-lhe com desprezo- Eu não entrego nada. Eu sou soldado português!
Fez novamente menção de carregar à baioneta. Mas repentinamente recuou, em dois saltos bruscos, e largou numa rapidíssima corrida para o jeep do Comandante, bradando outra vez, a toda a força dos pulmões.
- Às armas!...
Passada a momentânea desorientação causada pela imprevista atitude do soldado, os facínoras correram sobre ele. Mas já o jeep arrancava e rompia a grande velocidade, por entre a malandragem que abria caminho, espavorida. Com uma das mãos no volante e a outra a segurar a velha «Mauser». a sentinela negra ainda viu, no turbilhão daqueles terríveis segundos, o rodopio das catanas de ambos os lados do carro; e sentiu uma dor aguda num ombro; e aguentou o embate de algumas pedradas nas costas; e percebeu vagamente que por cima da porta de armas, na frontaria da Fortaleza, se abria uma janela...
- «É o nosso Comandante que já acordou...»- pensou, contente de verificar que estava dado o alarme. E carregou mais no acelerador, distanciando -se rapidamente dos seus perseguidores.
Atravessou o parque dos minérios, quando ouviu. lá para trás, o estalar secos dos primeiros tiros: era a pequena guarnição da fortaleza que se batia, resistindo galhardamente ao ataque:
Recordou, por momentos «o nosso cabo», aquele jovial camarada branco, retalhado e sangrento, escabujando no chão, sob as catanas dos assassinos. E acelerou ao máximo, com as mãos crispadas no volante e os dentes cerrados numa raivosa ânsia de chegar depressa.
Ante os seus olhos, desfilavam vertiginosamente as luzes da Avenida Marginal, desdobradas num rosário de missangas sobre o espelho sereno da baía ...... e num ápice, chegou à rua do Esquadrão e travando bruscamente à entrada do Quartel da Polícia, gritando para os guardas de piquete:
- Acudam à Casa da Reclusão! Está a ser atacada pelos bandidos!
- Como é isso? - perguntou um dos guardas.
Mas já o «jeep» arrancava , em direcção à avenida Álvaro Ferreira, rasgando o silêncio da noite com o roncar do motor.
- Que há?- acudiu a perguntar um soldado cuanhama, quando o carro estacou junto do Quartel General.
- Há um ataque de negros à casa da Reclusão. Avisa o nosso oficial de serviço. Depressa....
Assim descreve Rui Ventura no seu livro "SANGUE NO CAPIM" do qual transcrevemos este excerto que julgamos brilhante para fazermos um juízo do início das actividades indepentistas que nos vão levar à luta armada em Angola, até 1974.
O ataque iniciou-se na madrugada de 4 de Fevereiro. O balanço oficial de vítimas foi de cerca de 40 assaltantes e de sete polícias, já que as forças portuguesas, recuperadas da surpresa inicial, neutralizaram com facilidade o ataque realizado com «catanas e varapaus.
Nos dias seguintes, e em especial no dia do funeral dos polícias mortos, os colonos brancos e as forças militarizadas desencadearam violenta repressão nos bairros negros de Luanda, que durou cerca de um mês.
Curioso foi que MPLA, cuja direcção estava exilada em Conacri, reivindicou a acção enquanto a UPA se remeteu ao silêncio. O Conselho de Segurança da ONU foi convocado para apreciar os acontecimentos de 4 de Fevereiro.
A UPA, assessorada por conselheiros americanos, pretendeu aproveitar a oportunidade para conseguir as simpatias mundiais para a sua causa, o que a levou a preparar uma sublevação geral de grande parte região norte de Angola, incluindo São Salvador, Uíje, Dembos, Luanda e Cuanza Norte.
Josep Sanchez Cervelló
in "Guerra Colonial" - Aniceto Afonso e Matos Gomes
SANGUE NO CAPIM ( CENAS DE GUERRA EM ANGOLA ), é da autoria de Rui Ventura, natural de Chaves, e residente na altura, em Angola. Na imagem acima a capa da 4ª edição.
Rui Ventura editou um vintena de livros, todos eles com conteúdo histórico e de elevado interesse. SANGUE NO CAPIM, é um deles... leituras que não podemos ignorar
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
DIA 01 DE DEZEMBRO DE 1971 GUINÉ ZONA LESTE HÁ 40 ANOS
A 13 Quilómetros da fronteira com a Guiné - Conacri e a 40,50 do Senegal, em pleno ambiente de Guerra , as meninas e os meninos de Piche, Zona Leste da província, manifestam a sua Portugalidade com exercícios desportivos e exibições de dança e ginástica, comemorando a Restauração da Independência, 01 de Dezembro de 1640


Entrada dos elementos da M. P. no Campo de Futebol de Piche vendo -se as gigantescas mangueiras e a povoação ao fundo
Exibição da disciplina de ginástica. Rapazes, Aliás, todos com bom empenho.Dança típica da Guiné, na exibição superior das meninas guineenses.
A Rádio "A Galope" através de dois dos seus elementos, entrevista o Capitão Shultz, coordenador e responsável pelo evento. Após um lanche-Aqui estão eles cheios de pose e garbo para uma foto com pessoal branco. Dia manga d´ji ronco para estes formidáveis meninos.
Parada do quartel. O Porta Bandeira, eu, o Zé Manel e Ava. O Comando fica no edifício do lado esquerdo e o refeitório ao fundo. Um dia para sempre recordar . Há 40 Anos.

QUARTA FEIRA 01 DE DEZEMBRO de 1971 - 2011 - HÁ 40 ANOS - ERA ESTA A NOSSA ACÇÃO: PROPAGAR E DEFENDER O NOME DE PORTUGAL NÃO FOI POSSÍVEL IR MAIS ALÉM MAS DESTA VEZ A MISSÃO ESTAVA CUMPRIDA E COM A SATISFAÇÃO TOTAL DOS MENINOS E POPULAÇÃO DO LESTE DA GUINÉ
Eduardo Lopes 1º Cabo TRMS CART 3332 GUINÉ 1970 - 1972 RAP 2, BOLAMA, PICHE, NHACRA, DUGAL, FATIM, CHUGUÊ, CUMERÉ E RAL 1
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